sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

As piores dores, a dor de um tiro, de um cálculo e a (des)crença em chás.



Há algum tempo a revista Super Interessante publicou uma matéria a respeito das piores dores do mundo. O método para medir a intensidade da dor resume-se a perguntar a quem está sentindo ela. Tudo muito simples: de 0 a 10, as pessoas dizem qual é a intensidade e pronto. Logo abaixo estão as dores que tiveram as maiores notas segundo os pacientes:




Ao reler essa matéria, lembrei como é comum me perguntarem a intensidade da dor de quem sofre um disparo de arma de fogo. Há onze anos atrás eu levei um tiro no peito acidentalmente, acertando o pulmão direito, o rim direito e o fígado. Posso garantir que a dor não chega aos pés de uma enxaqueca de madrugada ou uma quebrada de unha, que já ranquei inteira 3 vezes, 2 vezes no pé e uma na mão.


Isso pega as pessoas de surpresa, não imaginam que seja assim. Senti apenas uma queimação em toda a região toráxica e após um certo tempo, enquanto aguardava atendimento, vieram umas dores nas costas, como a dor da tosse quando se está com pneumonia. O pior fica com a recuperação e o estado psicológico, já superado.


Os 1,1 cm do projétil atravessando o corpo não chega nem perto da cólica renal, citada na matéria da Super. Devo ter desenvolvido as pedras por beber pouca água e pelo exagero no consumo de tomate, amendoim e queijo, não sei exatamente, preciso mandar a pedra para algum laboratório examinar. A dor que a pedra proporciona é de se achar que está morrendo e pedir para o sofrimento acabar logo.


E é aí que entra o chá: fiquei mais de um ano com a o meu segundo cálculo, de 0,5 cm, alojado no rim direito. Vieram as crises, os alarmes falsos ao urinar, mijo com cor de coca-cola e a Dona Maria, minha mãe, resolveu inventar um chá aí. Tinha de tudo: folha de abacate, chapéu de couro, tançagem, folha de romã, carrapichinho, picão, quebra-pedra, etc, etc... o resto ela não lembra mais. Uma autêntica gororoba líquida. Chás não me convenciam muito, com exceção do boldo pra ressaca, que quebra um galhão.

Foram 2 garrafas do chá e no outro dia, após quase um ano, a “mardita” saiu igual um tiro, toda pontiaguda, rasgando a uretra igual estilete no papel. Alívio depois de tanta a dor. Passei a acreditar mais em chás. E fica a expectativa de outras pedras virem futuramente.


Não consigo imaginar como o paquistanês Wazir Muhammand, de 50 anos, suportou uma pedra de 12,7 cm no rim direito. Isso mesmo: 12,7 cm, 620 g. Está aqui no site oficial do Guinness Book. Assustador.


Fontes:

http://www.naitazi.com/2008/06/26/world-record-of-removal-of-heaviest-kidney-stone-in-chandka-medical-college-and-teaching-hospital-larkana-sindh/

http://www.guinnessworldrecords.com/records/human_body/medical_marvels/heaviest_kidney_stone.aspx


2 comentários:

EAD disse...

Muito legal o seu blog, a história bem contada. parabéns.

Clash disse...

Agradeço pelo comentário, Joyce! =)